Por anos, ligar o ray tracing era basicamente jogar seus FPS no lixo.

Você entrava nas configurações, ativava aquela opção com nome bonito, olhava para os reflexos da poça d’água em Cyberpunk 2077 e achava absurdamente lindo. Dois segundos depois percebia que o jogo tinha caído de 90 para 40 quadros por segundo e desligava imediatamente.

Essa foi a realidade do ray tracing desde que a NVIDIA o popularizou com a série RTX 20 em 2018. Tecnologia impressionante no papel. Cara demais pra rodar direito na prática.

Em 2026, com a arquitetura Blackwell e a RTX 5060 no mercado intermediário, essa equação finalmente começou a mudar. Mas antes de entender por quê, vale entender o que o ray tracing é de verdade — e por que ele sempre foi tão pesado.


O que é ray tracing e por que ele arrasa com o desempenho

Para entender o problema, você precisa saber como os jogos desenhavam imagens antes do ray tracing.

O método tradicional se chama rasterização. Funciona assim: o jogo pega todo o mundo 3D e projeta ele numa tela 2D, calculando quais partes de cada objeto estão visíveis para a câmera. Sombras, reflexos e iluminação são simulados com truques matemáticos — não são fisicamente precisos, mas são extremamente rápidos de calcular. Esse método foi tão eficiente que dominou os jogos por décadas.

O ray tracing funciona de forma completamente diferente. Em vez de usar truques, ele simula a física real da luz. O sistema dispara milhões de raios virtuais a partir da câmera para dentro da cena. Cada raio percorre o ambiente, bate em superfícies, reflete, refrata, absorve energia e devolve informação de cor e luminosidade para a câmera. O resultado é iluminação, reflexos e sombras que se comportam como na vida real — porque o cálculo por trás deles está tentando reproduzir exatamente isso.

O problema é o custo. Calcular o caminho de milhões de raios por quadro, em tempo real, a 60 ou mais quadros por segundo, é uma das tarefas mais pesadas que você pode colocar numa GPU. Quando a RTX 2080 Ti — que era o top de linha em 2018 — mal conseguia rodar ray tracing em 1080p sem engasgar, ficou claro que a tecnologia havia chegado antes do hardware estar pronto para ela.


Ray tracing e path tracing: não é a mesma coisa

Antes de falar da RTX 5060, vale desfazer uma confusão que aparece o tempo todo nas especificações dos jogos.

Ray tracing e path tracing são tecnologias relacionadas, mas com diferenças importantes de custo e resultado.

O ray tracing que aparece na maioria dos jogos é uma versão híbrida. Ele aplica o cálculo de raios apenas em partes específicas da cena — geralmente sombras e reflexos. O resto do jogo continua usando rasterização tradicional. Isso reduz o custo computacional e permite que mais GPUs consigam rodar a tecnologia com desempenho aceitável.

O path tracing é o nível acima. Em vez de escolher o que recebe o cálculo real da luz, ele simula a iluminação global da cena inteira — todos os reflexos, todas as sombras, toda a iluminação indireta, ao mesmo tempo. O resultado é substancialmente mais bonito e mais realista. O custo é substancialmente maior também. Jogos como Cyberpunk 2077 no modo Overdrive e Alan Wake 2 usam path tracing, e rodar esses títulos nesse modo sem auxílio de tecnologias de IA ainda arranca os FPS até de GPUs caras.

Quando você vê numa caixa que uma placa “suporta ray tracing”, significa que ela tem núcleos de hardware dedicados ao cálculo de raios. Isso não significa que vai rodar path tracing completo em 4K com conforto. Significa que o hardware existe. O desempenho depende de quantos núcleos são esses e de qual geração eles são.

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O que mudou na arquitetura Blackwell

A RTX 5060 usa a arquitetura Blackwell — a mesma base dos modelos de topo de linha como a RTX 5080 e 5090, chegando agora ao segmento intermediário.

O chip que equipa a RTX 5060 traz 32 núcleos RT de quarta geração. Isso importa porque cada geração de núcleos RT da NVIDIA foi projetada para executar os cálculos de ray tracing mais rápido do que a anterior. Na prática, uma quantidade menor de núcleos RT de quarta geração consegue processar mais raios por segundo do que uma quantidade maior de núcleos RT de geração anterior.

Além disso, a memória GDDR7 — que a RTX 5060 estreia no segmento intermediário — tem largura de banda significativamente maior que a GDDR6X usada nas placas anteriores. Ray tracing é uma das cargas de trabalho que mais se beneficia de largura de banda, porque o processamento de raios gera um volume enorme de dados sendo lidos e escritos na memória da GPU o tempo todo.

O resultado prático é que a RTX 5060 consegue rodar ray tracing híbrido em 1080p com configurações altas de forma fluida em títulos modernos, sem precisar reduzir tudo para médio antes de ativar o recurso — algo que as gerações anteriores na mesma faixa de preço não conseguiam com a mesma consistência.


O papel do DLSS 4 nessa equação toda

Seria desonesto falar de ray tracing em 2026 sem falar do DLSS 4, porque os dois viraram inseparáveis.

O DLSS — Deep Learning Super Sampling — é uma tecnologia de inteligência artificial que permite que a GPU renderize o jogo em resolução menor e depois reconstrua a imagem em resolução maior usando uma rede neural treinada para isso. Na prática, você tem a qualidade visual de 4K processando em 1440p, ou a qualidade de 1440p processando em 1080p. Isso libera poder de processamento que pode ser direcionado para o ray tracing.

O DLSS 4, disponível exclusivamente nas GPUs da série RTX 50, deu um passo além com o Multi Frame Generation. A tecnologia agora não apenas melhora a qualidade da imagem — ela também cria quadros inteiros que a GPU não renderizou, usando IA para prever o movimento da cena e gerar esses quadros intermediários. Em jogos compatíveis, o impacto nos FPS é expressivo: a NVIDIA aponta multiplicadores que variam de 2x a mais de 4x em relação ao desempenho sem o recurso ativo.

Para o ray tracing, isso significa o seguinte: você liga o ray tracing, os FPS caem pela metade como sempre aconteceu, mas o DLSS 4 com Multi Frame Generation recupera esse desempenho e ainda entrega uma taxa de quadros maior do que você tinha antes de ligar o ray tracing. É um equilíbrio que não existia dessa forma nas gerações anteriores.

A ressalva: Multi Frame Generation funciona melhor em jogos de ritmo mais lento — RPGs, aventuras, títulos cinematográficos. Em jogos competitivos e FPS rápidos, os quadros gerados por IA introduzem uma latência adicional que, mesmo com o NVIDIA Reflex tentando compensar, ainda é perceptível por jogadores mais treinados. O DLSS 4 transformou o ray tracing em algo viável para jogos de imersão. Para competitivo de alto nível, a história ainda é diferente.


Para que tipo de jogo o ray tracing faz diferença real

Não é todo jogo que se beneficia de forma dramática. A diferença visual depende diretamente de como o jogo foi construído e do que ele usa a tecnologia para fazer.

Em jogos com ambientes fechados, materiais reflexivos, iluminação complexa e muita água ou superfícies espelhadas, o ray tracing transforma a experiência. Cyberpunk 2077 é o exemplo mais citado porque a Night City, com seus neons, chuva e superfícies molhadas, foi desenhada para aproveitar ao máximo a tecnologia. A diferença entre rasterização e path tracing completo nesse jogo é visível a olho nu a qualquer pessoa, mesmo sem entender nada de GPU.

Em jogos externos, com muito sol direto e ambientes abertos, a diferença costuma ser mais sutil. A rasterização moderna é muito boa em simular iluminação solar direta. O ray tracing brilha mais nos cantos escuros, nas sombras dinâmicas projetadas por múltiplas fontes de luz e nos reflexos de superfícies complexas.

Em jogos competitivos — CS2, Valorant, Fortnite —, o ray tracing raramente faz sentido. A diferença visual existe, mas é pequena. E a queda de desempenho, mesmo com DLSS ajudando, pode tirar a consistência de frames que jogadores competitivos precisam. Nesse cenário, a recomendação continua sendo: deixa o ray tracing desligado e aproveita os FPS a mais.


A RTX 5060 entrega o ray tracing que a geração anterior prometeu?

Em grande parte, sim. Com algumas condições.

Em 1080p com ray tracing híbrido ativo — o modo que a maioria dos jogos oferece —, a RTX 5060 consegue manter experiências fluidas na maior parte dos títulos modernos com configurações entre alto e ultra. Isso é algo que as GPUs intermediárias das gerações anteriores não conseguiam sem sacrificar severamente outras configurações.

Com DLSS 4 ativo, a margem aumenta consideravelmente. Jogos com Multi Frame Generation disponível ficam num patamar de fluidez que justifica ligar o ray tracing sem aquela sensação de estar desperdiçando desempenho.

Onde a RTX 5060 ainda encontra resistência é no path tracing completo. Títulos como Cyberpunk 2077 no modo Overdrive ou Alan Wake 2 com tudo no máximo ainda precisam do auxílio máximo do DLSS para manter fluidez aceitável. Não é uma limitação exclusiva da RTX 5060 — path tracing completo ainda é pesado demais para GPUs intermediárias de qualquer fabricante em 2026. Mas é honesto dizer que ray tracing completo, sem compromisso, ainda fica mais confortável nas GPUs mais caras da linha RTX 50.

O que mudou de fato é que o ray tracing deixou de ser aquela feature que você ativa por curiosidade, se arrepende e desliga. Numa RTX 5060, com jogos bem otimizados e DLSS 4 habilitado, é possível deixar ray tracing ligado e esquecer que ele está lá — jogando normalmente, com imagem bonita e fluidez adequada.


O elefante na sala: 8 GB de VRAM ainda é o grande problema

Falamos muito de ray tracing e pouco de uma limitação que afeta diretamente a experiência com essa tecnologia: a RTX 5060 vem com 8 GB de VRAM.

Ray tracing aumenta o consumo de VRAM. Quando você liga reflexos e sombras em tempo real, o volume de dados que precisa residir na memória da GPU cresce. Em 1080p com configurações altas e ray tracing ativo, 8 GB ainda é suficiente na maioria dos títulos atuais. Em 1440p com texturas no máximo, ray tracing e alguns jogos mais recentes baseados na Unreal Engine 5, a memória começa a pressionar o limite com mais frequência.

Para quem compra a RTX 5060 com intenção de usá-la por três ou quatro anos, essa é uma variável que merece atenção. Os jogos de 2027 e 2028 foram desenvolvidos com expectativas de hardware crescentes, e a VRAM é uma das áreas onde esse crescimento está acontecendo mais rápido.


Vale a pena ligar o ray tracing em 2026?

Depende de duas coisas: o que você joga e o que você prioriza.

Se você joga principalmente títulos single player focados em imersão — RPGs, aventuras, jogos cinematográficos —, e tem uma GPU com suporte adequado, ligar o ray tracing em 2026 é uma decisão que finalmente faz sentido sem dor. A diferença visual é real, as ferramentas para manter o desempenho existem e funcionam bem.

Se você joga competitivo, FPS rápido ou qualquer coisa onde cada frame conta para o resultado do jogo, ray tracing ainda não é o seu amigo. Desligar e pegar os FPS de volta continua sendo a escolha racional.

A RTX 5060 não resolveu o ray tracing de forma mágica. Mas chegou ao ponto onde a tecnologia funciona de maneira prática para o uso cotidiano, sem exigir que você seja fanático por benchmarks para encontrar as configurações certas. Isso, por si só, já é mais do que qualquer placa intermediária conseguiu oferecer nos últimos quatro anos.


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